‘‘Quando Jejuardes, não tomeis um ar sombrio... ’’
Esta palavra nos orienta sobre a nossa postura diante da prática do jejum, tantas vezes visto como uma imposição, uma determinação da igreja para o tempo da quaresma. Porém, vai mais além do que normas e exigências para um determinado tempo litúrgico.
O Jejum é ascese, exercício prático que ordena a vida moral através da privação voluntária e temporária de alimentos sólidos e líquidos, como também a abstenção de itens não alimentares: o consumo supérfluo, o lazer e o entretenimento.
A prática do jejum remonta aos povos do Antigo Testamento. Após o dilúvio Noé é recomendado a abster-se de comer carne. (Gn. 9, 4). Moisés permaneceu diante do Senhor quarenta dias e quarenta noites em jejum (Ex. 34, 28). No Evangelho, sobretudo os Sinóticos encontramos Jesus vivenciando esta prática da quaresma, da abstenção de alimentos e da renuncia concreta de todos os prazeres.
Retomemos a palavra do Evangelho de ( Mat. 6, 16) Quando jejuardes não tomeis uma ar sombrio... É preciso observar a nossa postura. Por que será que Jesus nos adverte dessa forma? A resposta pode estar dentro de cada um de nós, na forma com temos feito o jejum. Mais do que deixar de comer, isto ou aquilo, precisamos ter uma disposição interior e conhecimento do sentido dessa prática para não ser apenas uma ordem: Não comas! Não bebas! O jejum exige postura de oração e escuta da palavra, senão ela cai no vazio, de sentido e de estômago, ao ponto de nos fazer perder as forças para o trabalho, em vez de fortalecer o nosso espírito para as batalhas que travamos no dia a dia.
Vivemos numa sociedade que o prazer é o princípio fundamental, o prezer dos olhos, do paladar e do vestir. Quantas pessoas vivem hoje enfermas por causa do consumo excessivo de alimentos e de bebidas? Quantos não se conteem diante de uma mesa farta? A gula estar em alta.
O jejum e a abstinência entram como reguladores, como um remédio salutar para curar os vícios e ordenar nossa vida moral e espiritual, como também para melhorar a nossa vida. Esse é o propósito da Igreja, fortalecer os seus fiéis ante as exigências da natureza decaída do homem.
Portanto, nos exercitemos essa prática, neste tempo de quaresma para fortalecer o nosso homem interior e vencer os dias maus.
Marcileide de Sousa Assis
Consagrada da Comunidade de Vida Remidos no Senhor